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Enquanto isso na sala de aula...


" ALMA NÃO TEM COR..."

O trabalho com crianças é bastante complexo. Principalmente para aqueles que possuem um comprometimento com transformação de conceitos e pré-conceitos.

 

Dia desses, estava chegando na sala de aula, quando vi uma aluna do lado de fora chorando. Perguntei pra ela o que havia acontecido: “O fulano me xingou de preta”.

A professora engole seco, respira fundo e um trilhão de coisas e formas de resolver a situação passam pela cabeça...

-Alternativa A) Dar bronca no aluno que falou (seria perigoso, afinal, reforçaria a idéia de que chamar o  colega de preto é xingamento);

-Alternativa B) Deixar passar batido (seria horrível, inclusive perderia a oportunidade de mudar esse conceito na cabeça daquelas crianças);

-Alternativa C) Dar bronca na aluna que chorou por ser chamada de preta ,já que isso não é xingamento (seria maldoso, ela estava chorando aos prantos!);

-Alternativa D) Dar bronca em todo mundo( todos iam pagar o pato???????);

-Alternativa E) Sair correndo e sumir( inviável...).

 

Todas essas opções me passaram pela cabeça no período de 10 segundos em que eu entrava na classe com a aluna.

Resolvi não fazer nenhuma das opções acima. Instintivamente, falei pra menina que ela não precisava chorar por ele ter dito isso, já que isso não era xingamento. Que seria a mesma coisa de ela dizer “seu branco” pra ele.

Entrei na classe e falei sério com a classe toda, joguei a questão pra todos.

Disse para o aluno que “xingou” que aquilo não era xingamento, e que eu estava triste por ele achar que era. Pois pra mim, o bonito era ter uma classe toda colorida, onde tinha colegas pretos, brancos, marrons, rosas e amarelos. Que era isso que fazia o país onde moramos ser tão especial.

E ainda acrescentei como seria feio uma classe onde todos fossem iguais, da mesma cor. Aproveitei a chegada de outra professora, loira, e ainda disse que nós duas éramos de cores diferentes e que isso era muito legal. Aproveitei o fato de nessa idade, as crianças idolatrarem as professoras.

 

Fiquei satisfeita com a decisão que tomei. Talvez não tenha sido certa, mas fez exatamente o efeito esperado. O assunto se encerrou ali e desde então, questões como essa nunca mais surgiram na classe. O próprio aluno que falou da colega está sempre brincando com todos, sem discriminação. É uma criança de 6 anos, que nem sabe exatamente o teor daquilo que falou; simplesmente reproduziu o feito de algum adulto racista que convive com ele.

Os conceitos podem e devem ser mudados.

E essa é uma luta diária para os professores que têm realmente sede de mudança.

 

 

 

 

 



Escrito por Profs às 18h42
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Nem tudo são lágrimas nesse mundo cruel entre as quatro paredes de uma sala de aula.

Há dias em que tudo vale a pena.

Vivi um desses há pouco. Trabalhando com a música  "A Foca"( essa mesmo que vocês estão pensando), feliz e contente falando sobre a letra "F", quando lá de trás, alguém diz"...Vinicius de Moraes...".

Opa!

A professora tenta conter a emoção imediata de ter um aluno que conhece Vinícius de Moraes nas circunstâncias atuais de " imbecialização" da infância.

Pensa rápido como enfatizar isso e valorizar muito esse pequeno conhecimento... Um...dois...três...Pensei rápido e soltei:

"Alguém sabe quem foi que escreveu essa música?”

E aí a aluna e o primo dela disseram...VINICIUS DE MORAES.

Ahhhh.....o suave deleite do professor. “Eles sabem do que estou falando”. Empolgaram os outros. Repetimos todos o nome do poeta e do "Toquinho"  aquele que fez a poesia virar música.

Ouvimos o “O Pato”, “A Corujinha” e outros clássicos da "Arca de Noé", ainda com os “vivas" explodindo dentro da professora.

Fiquei orgulhosa sim. Eles sabem apreciar o que é bom...e mesmo que tenham aprendido em outra escola e só por isso conheceram. Apreciaram, assimilaram, entenderam tudinho...

Vinícius é demais. Essas crianças são demais. A vida na sala de aula é demais. Ai ai.

 

 

 

 



Escrito por Profs às 21h10
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" Alguma coisa acontece no meu coração..."

São Paulo.Centro.Avenida São João. 3 da tarde. Dia útil. Eu e 28 crianças entre 6 e 7 anos.Todos sob minha responsabilidade.

Deu pra entender?

Sim, foi enlouquecedor.

Essa aventura, era por ótima causa; íamos assistir ao espetáculo da Orquestra Experimental de Repertório, “Pequeno Dicionário dos Instrumentos".

Foram duas semanas de preparação; trouxemos instrumentos para antecipar o passeio, filmes com músicas tocadas por orquestras, livros, música erudita...

Na hora " H" , um dos ônibus quebrou, e outro ônibus demorou 1 hora pra aparecer( já viu empresa particular se preocupar em oferecer bom serviço para escola pública?). Ficamos na rua, eu e as crianças, esperando. A crianças em polvorosa, ansiedade a mil, empolgação no topo. A professora comendo as unhas e vendo crescer nas raízes os cabelos brancos.

Parecia um pesadelo. O ônibus chegou e aquele garoto que a mãe mandou de lanche “pão com ovo" começa a passar mal. Mãos, braços, cabeças e pés fora da janela e a professora segurando o saquinho para o dito cujo gorfar sem pressão.

Chegando lá, descida traumática na Avenida São João, rumo à Galeria Olido. Ninguém para ajudar. Nenhum CET, policial ou bom samaritano por perto para parar os carros.

Entramos na Galeria e o espetáculo já tinha acabado...

"Férias Frustradas" foi pouco perto de tanta decepção.

Ainda tivemos consolo, entramos na sala de espetáculo, conhecemos o camarim e vimos uns instrumentos espalhados pelo palco.

A volta não foi menos traumática, o mesmo garoto passou mal de novo( queria entender porquê pão com ovo antes do balançar do ônibus...) pense bem onde estava o nível de adrenalina no organismo dessa professora...

Ainda assim, pode se dizer que essa história teve um final feliz; algumas semanas depois, passeio reagendado. Não me conformava em não levá-los para conhecer uma orquestra. Prevenida, levei uma mãe de aluno para ajudar, chamei um policial que estava de bobeira no Largo do Paissandu para ajudar na travessia na Avenida.

Não podia deixar o meu trama privar as crianças desse momento especial.

Pois pra mim também foi especial. No mínimo uns 5 anos envelheci nessa aventura.

E adquiri mais uma história para enriquecer a diversidade do incrível mundo da sala de aula...

Fique de olho.

 

 



Escrito por Profs às 20h57
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Meninas e Meninos

Rotina. Na sala de aula, principalmente nas séries iniciais a rotina é uma coisa muito importante. Todos os dias coloco na lousa a agenda das atividades que vamos realizar. Algumas coisas são feitas todos os dias, no mesmo horário, como o recreio, a leitura, a escovação, e a contagem. Sim, contamos juntos o número de alunos presentes na sala, meninos , meninas e o total, além dos alunos ausentes. É uma maneira de colocar o número no dia-a-dia, criar familiaridade com conceitos matemáticos entre outros objetivos.

Fica mais ou menos assim:

Outro dia, resolvi provocar uma leve mudança nas cores dos desenhos:

Meninas de azul e meninos de rosa. Foi um choque geral! Os meninos tiveram uma reação imediata de inconformismo e indignação: "Rosa é de menina!!!!!!!!!". As meninas então, tiveram uma reação ainda mais engraçada; riram MUITO da revolta dos garotos.

Eu, com a cara mais deslavada do mundo, perguntei pra eles quem disse que rosa é cor de menina? Que regra é essa? E ainda continuei: "rosa é uma cor como outra qualquer, mistura de vermelho com branco..." eles se conformaram, mas ainda não acostumaram . Nos dias seguintes usei diversas cores para desenhar a menininha e o menininho. Mostrar pra eles que cor é cor, e que não é isso que vai dizer quem ou o que você é.

As meninas adoraram e desde então,todos os dias pedem pra eu desenhar os meninos de rosa, como uma provocação tipicamente feminina.

Ora essa, já passou da hora de acabarmos com esses estereótipos que determinam como devemos ser, o que devemos vestir, o que devemos pensar e como devemos agir pra estar de acordo com o que pensa "a maioria" ! Ainda acredito que é com pequenas atitudes (principalmente dentro da escola), que chegaremos a bons resultados com as gerações futuras. Elas precisam ser menos preconceituosas do que nós, mais tolerantes com as diferenças, não é mesmo?

Estou sonhando com o dia que possa mudar a cada dia não só as cores, mas o estilo dos bonequinhos...não seria maravilhoso???????


 

 



Escrito por Profs às 00h23
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GREVE !!!!!!!!!



Escrito por Profs às 12h38
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COMO?!?!?!?!?!


Ser professora também pode ser triste, muito triste.

Hoje, eu estava sentada na minha mesa na sala de aula, e aquela aluna que senta na minha frente, que todos os dias é animada, faz todas as atividades com o maior prazer, fala mais que a boca, estava totalmente tristonha e cabisbaixa. Não fazia nada, não sorria, não conversava.

Havia uma expressão sofrida no seu rosto, como se estivesse magoada ou doente.

Perguntei pra ela se ela estava passando mal, ela disse que não;

Perguntei se estava triste, ela disse que sim, mas com certa dúvida;

“O que está acontecendo então???? Por que essa carinha triste?????”

Ela disse que a amiga que senta ao lado sabia o motivo.

 

“Ela está com fome  professora”.

 

Pronto. A resposta que não se quer ouvir. A gente sabe sim, que muitas daquelas crianças faz a sua única refeição decente na escola. Mas muitas vezes preferimos não ouvir, não enxergar. Declarar assim, sem pudores que tem fome, não é comum na escola.

Apenas as crianças pequenas fazem isso. Aquelas que ainda não foram atingidas pelo orgulho e pudor . Aquelas que ainda acreditam que as professoras são heroínas que podem resolver todos os problemas do mundo.  O mais comum é sentirem vergonha de ter fome. Não dessa fome que sentimos quando chegamos em casa do trabalho; não da fome das crianças que chegam e sabem que têm almoço pronto na mesa.

Vergonha da fome, têm aqueles que convivem com ela, com a falta do alimento. Convivem com o desespero de se fartar no momento que tem, pois daqui a pouco pode não ter mais.

Naquele momento, diante da total franqueza daquela criança, quem sentiu vergonha fui eu.

Vergonha de ser adulta e não poder dar uma explicação plausível  do porquê de tudo isso.

Enfim,ela  não queria explicação, queria comida.

Mas um dia, quando ela realmente se encabular ao sentir fome, vai se perguntar muitas e muitas vezes o que a- faz diferente daqueles que têm tudo, do bom e do melhor; e vai querer ter também. E é aí que muitos desses nossos pequenos se perdem e vão para caminhos que são as únicas possibilidades que lhes restam.

 

Você aí que está lendo sabe que existe a fome, a mesa vazia. Mas estar ali, cara a cara com ela, refletida numa criança cheia de vida , desejos e vontades!!!!!!!!

 

Faltava pouco para a hora do intervalo , quando eles almoçam . Acalmei a menina, pedi pra que ela fosse tomar água e lavar o rosto (os olhos estavam cheios de lágrimas). Deixei que ela fosse a primeira a se servir e assisti com gosto o milagre da alimentação.

Depois do intervalo ela era outra criança, cheia de energia de novo.

 

Como olhar para aquelas crianças e não premeditar o que o futuro reserva para elas?

 

Como não desanimar diante de tão pouca perspectiva de algo melhor e mais justo????

 

Como estar ali e não trabalhar com “alguma” esperança de que alguma coisa, algum dia vai ser diferente?????

 

Como??? Como???? Como???? Como?????

 

 

 



Escrito por Profs às 18h27
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Professora SIM... tia???????? NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOO!!!!!


Nesse ano letivo (2006) , estou dando aula numa sala de 1ª série,no horário antigamente conhecido como “intermediário”, das onze da manhã até as três da tarde.
São 35 crianças de 6 anos (agora elas entram com 6 anos na primeira série) ,cheias de energia, dúvidas, inseguranças e desejos. E uma adulta, no caso eu, para atender a todas essas necessidades. Não, não é nada fácil.

Pense que mais ou menos 65% dessas crianças, nunca freqüentaram uma escola antes. O único espaço de convívio social que tiveram até agora foi a própria casa.

Eles não sabem ler e escrever. Mas isso é o esperado. O mais terrível é que, imagine ,uma só pessoa para dar alguma noção de espaço comum, de comportamento com os colegas, com a professora, de uso do espaço comum, de regras sociais, ás vezes até uso do banheiro (pasmem, muitos deles não sabem nem usar o banheiro). Ensinar a falar um de cada vez, a sentar numa carteira, a falar com os mais velhos, a respeitar as diferenças, a comer tudo, a jogar o lixo no lugar certo e até a amarrar o tênis.

Ah! Quase me esqueço ! Além disso tudo, temos que alfabetiza-los ...

 

Ufa...cansou???? Eu me canso só de falar. Se você é pai ou mãe sabe que ficar responsável por uma criança o tempo inteiro , sempre observar o que ela está fazendo, ensinar pequenas coisinhas é muito difícil. Imagine só fazer isso durante 4 horas com 35 crianças ao mesmo tempo e SOZINHO!!!!!!

 

Resultado: nem sempre é possível dar conta de tudo. Ainda mais nesse começo de ano, onde cada detalhezinho precisa ser trabalhado com calma e paciência , mesmo quando você perde as estribeiras e precisa contar até dez para manter o controle dos seus impulsos.

Se você for até a minha sala e olhar para cada um dos rostinhos deles, vai dizer  “ai, que maldosa, olha só como eles são lindiiiiiiiiinhos...”. Sim, eles são lindinhos!!!!!!!!

 

Experimente ficar dentro daquele retângulo fechado e passar uma atividade simples para eles fazerem; dê a comanda da atividade umas 3 vezes em voz BEM alta até raspar sua garganta  e  ainda saia pela sala para dar novamente a comanda para aqueles com mais dificuldades para entender...de repente em menos de 5 minutos, há simplesmente uns 15 alunos com voz bem aguda falando ao mesmo tempo...

 

“TIA...TIA....TIA....TIA....TIA....TIA....TIA...TIA...TIAAAAA....TIIIIIIIIA... TIÁ ....TÍA”.......................

AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHH !!!!

 

É de enlouquecer qualquer cidadão...

 

Se chamassem de"PROFESSORA" pelo menos...

 

O que? Você não acha que eles devam me chamar de professora?

 

Você acha tão carinhoso eles chamarem de tia...ai que fofo!!!!!

 

* Continua aqui embaixo...



Escrito por Profs às 00h46
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Não pessoal, não é bem assim. Não queremos ser chamadas de tia. Somos professoras; tivemos uma formação, estudamos bastante (sempre!) , planejamos nossas ações, estudamos de novo , procuramos boas estratégias, bons materiais(muitas vezes compramos com nosso dinheiro, pois nosso salário é muito bom...HAHAHAHAHAHAHAHAHA ) pesquisamos, avaliamos. Somos profissionais, não somos “tias”.

 

Pode parecer radical, mas muito atrapalha essa associação da vivência na escola com uma relação familiar. Não somos tias e nem queremos ser

(a não ser dos filhos dos nossos irmãos).

 

E isso não é bobagem não, é muito sério. Essa relação da Professora com uma figura caseira, é uma desqualificação histórica da nossa profissão.

Sim, as crianças ainda vão me chamar muitas vezes todas ao mesmo tempo, enquanto eles não tiverem a consciência de que ali naquele espaço a atenção daquela pessoa precisa ser dividida entre todos os colegas.

 

Quando eles entenderem que a escola é um espaço social específico , que possui regras específicas e que a Professora é a profissional que está ali para ajuda-los de maneira organizada e sistemática, tudo vai ser diferente. Espero que isso não demore tanto (mas se tem adulto que não entendeu ainda...)

 

E olha só, pra quem acha que essa professora que vos escreve está delirando em idéias surreais e vazias, procurem saber mais sobre o assunto e entenda e valorize mais esses profissionais tão importantes para todos nós . E tão FUNDAMENTAIS para a nossa sociedade.

 

 

 Há um livro do grande  educador Paulo Freire (vou falar muito dele aqui!!!!)que possui o título desse texto"Professora sim, tia não - cartas a quem ousa ensinar"(1993) da editora Olho d água ,onde ele aborda essa questão .  Tem aqui embaixo um link de uma resenha curtinha desse livro, pra quem quer entender melhor essa conversa toda.

 

http://www.ced.ufsc.br/~zeroseis/resenha10.html

 

  

Obs.: Seria difícil explicar toda uma teoria pedagógica razoavelmente complexa num blog. Nem tenho essa intenção (credo, seria muito chato) mas há certas coisas que é preciso entender pra se estar dentro do dia-a-dia da sala de aula. Tomarei  liberdade de citar algumas coisas nessa blog, sempre deixando links para aqueles interessados em conhecer melhor sobre o assunto. 



Escrito por Profs às 00h40
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DO PRIMEIRO RABISCO ATÉ O BEABÁ...


Boa noite. Sou professora de ensino fundamental I (1ª até 4ª série- antigo primário) da rede municipal de ensino da cidade de São Paulo.

Na minha geração, já é bem pequeno o número de pessoas que escolheram fazer isso na vida: ser professor. Eu não sei bem se escolhi, ou fui escolhida ou como escolhi.

Sei que está é minha vida, e que tenho orgulho , vergonha, tristeza e alegria com ela.

Os motivos pra tantos tipos de sentimentos  são vários e é isso que pretendo descrever aqui nesses relatos.

 

A louca rotina de uma sala de aula, a correria do dia-a-dia numa escola, os desmandos das políticas públicas educacionais, a difícil vida do professor...

 

Todo dia  acontece alguma coisinha que merecia que toda a sociedade soubesse. Se você é professor, sabe do que eu estou falando,e se você não é, um dia já foi aluno, e talvez queira conhecer como funciona o outro lado da coisa.

 

Isso não significa que eu vá escrever aqui todos os dias, nem com qualquer periodicidade pré-determinada; só quando tiver vontade, de forma beeeeeeeeeeeeem descompromissada. E nem quero saber de português impecável e de gente me falando que por ser professora tudo que escrevo deve ser perfeito e bem redigido. Ora essa, isso aqui é uma conversa informal que quero manter com você , se é que todos esses assuntos te interessam.

 

Pronto. Comecei o  blog. E começo dedicando para aqueles que sempre me perguntam como vai a vida naquelas quatro paredes da sala de aula. Para aqueles que arregalam os olhos quando digo a minha profissão “nooooooooooooosssssaaaaaaaaa, você é professora primária????????” , com a maior cara de espanto. Ás vezes de admiração, ás vezes de pena, ás vezes de desprezo. Dedico àqueles que têm preconceito, que têm ódio, que têm carinho.

 

Afinal de contas, você aí também já teve uma professora e provavelmente já esteve numa sala de aula. E afinal de contas mais ainda, você aí também paga imposto e não seria interessante saber mais sobre onde e como esse dinheiro é aplicado na educação?? Pela boca de uma professora, ali na ponta mais fraca da corda????

Como que a área social mais rica e fundamental para melhorar a nossa sociedade acontece, ali, na mão na massa,  na prática, no dia-a –dia?

 

Pois esse blog é escrito pra você . E pra mim também . Professor que não desabafa cansa logo, engorda e contrai uma porção de outros efeitos colaterais do uso abusivo da sala de aula. E que não vieram escritos na “bula” do meu diploma.

 



Escrito por Profs às 00h52
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